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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O TEMPO - Santo Agostinho


No livro Confissões lançou esta questão: "Que é, pois o tempo"? (XIV, 17). Ele vê na sucessão temporal uma marca da impotência humana, da miséria do ser racional diante do infinito poder do Ser Supremo. O caráter instintivo do conheci­mento humano do tempo mostra bem os limites de sua noção so­bre este assunto. Trata-se de algo muito familiar, dado que cada um vive no tempo, mas que, vertiginosamente, lhe escapa. O tempo resiste a uma explicação porque é inconcebível. Ele inscreve sua es­sência na fuga. Ninguém, a não ser Deus, o pode compreender e árduo é para o homem tentar conceitualizá-lo. Intuí-lo é o máximo que está ao alcance da inteligência. Cumpre, porém, tentar captar qual é a qüididade desta intuição. É preciso, antes de tudo, retornar à distinção entre o passado, o presente e o futuro. Aí surge de ime­diato um impasse, pois o passado não é, dado que não está presen­te. Assim também o futuro, uma vez que não existe ainda, é prová­vel. Resta o presente que flui, contudo, inexoravelmente. Os latinos diziam: Fugit irreparabile tempus - foge o irreparável tempo, como bem se expressou Virgílio (Geórgicas III, 284). O presente é algo real que não se estabiliza nunca. Deste modo, o movimento caracteriza o tempo, é seu modo de ser. Por isto, das coisas e dos seres vivos que lhe estão submissos se diz que tudo é contingente: existe, po­deria não existir e tende a desaparecer. Tudo que começa propende a acabar. O que nasce está fadado a perecer. Este aspecto Agostinho assim o sintetizou na Cidade de Deus: "O tempo que se vive dimi­nui a própria vida e não passa de uma trajetória para a morte; com efeito, todo ser vivo está fadado a morrer, dado que, desde a ori­gem, a morte atenta contra sua vida. Daí sua assertiva em Confis­sões: "Podemos afirmar que o tempo é o que tende a não mais ser" (XI, 14). Como o tempo é um movimento perpétuo, cumpre distin­gui-lo da eternidade. São dois opostos. Um se contrapõe ao outro como a instabilidade à constância. A eternidade é estática, imutável, estável. A eternidade não conhece nem princípio, nem fim, ao passo que o tempo não cessa de começar e de acabar. Miséria do homem que está imerso no tempo; grandeza de Deus que existe desde toda a eternidade. A Moisés Ele afirmou: "Eu sou aquele que é" (Ex 3,14).

Eis o que então diz Agostinho ao Ser Supremo: "Os vossos anos são tomo um só dia, e o vosso dia não se repete de modo que possa chamar-se cotidiano, mas é um perpétuo "hoje", porque este vosso "hoje" é a eternidade" (XIII, 15) O ser racional vive um presente mutável, fugaz, ininterruptamente incerto, eternamente irreversível. O não-ser do tempo chancela a limitação humana. A humanidade vive a inconstância temporal. Donde a eventualidade que cerca quem existe. O tempo escapa inteiramente à jurisdição do animal racional por causa de seu irreversível dinamismo que o faz irredutível. Tal é a condição humana: somos corruptíveis e finitos e somente Deus é eterno. Segundo Santo Agostinho, porém, pela memória, de certo modo, se supera o tempo, dado que pela lembrança do passado se pode ir contra a corrente do movimento temporal. Trata-se de se trazer o passado para o presente e, até mesmo, se pode fazer uma previsão com relação ao futuro. Daí Agostinho falar do "presente do passado", do "presente do presente" e do "presente do futuro". A memória como que retém o tempo, eternizando, de certo modo, o instante vivido e antecipando o porvir. Agostinho exalta, portan­to, o poder da memória sem a qual nada se poderia imaginar nem conhecer, compreender ou apreender. Diz ele: "O pretérito longo outra coisa não é senão a longa lembrança do passado"(XI,28).. O homem que possui a memória detém a capacidade de criar sua pró­pria duração interior, que é uma equivalência de tempo, da qual ele é o senhor. A reminiscência faz existir o passado no presente e, pela projeção, até mesmo o futuro. Trata-se de uma atividade do espírito que transcende o tempo. Tudo isto infunde um otimismo antropo­lógico de grandes proporções. O homem, de fato, finito, limitado, possuindo uma alma espiritual, participa, assim, do próprio eterno "hoje" de Deus! O tempo torna-se um sinal de eternidade.

ATUALIDADE DE SANTO AGOSTINHO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho-Professor no Seminário de Mariana – MG

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O que é Arte? - Trecho do Filme o Sorriso de Monalisa

Trecho do filme Perfume de Mulher

domingo, 14 de novembro de 2010

Moral e Ética



A confusão que acontece entre as palavras Moral e Ética existem há muitos séculos. A própria etimologia destes termos gera confusão, sendo que Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de “mores”, significando costumes.

Esta confusão pode ser resolvida com o esclarecimento dos dois temas, sendo que Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava Moral como a “ciência dos costumes”, sendo algo anterior a própria sociedade. A Moral tem caráter obrigatório.

Já a palavra Ética, Motta (1984) defini como um “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, outrossim, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social.

A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com Sócrates, pois se exigi maior grau de cultura. Ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Vásquez (1998) aponta que a Ética é teórica e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra, havendo um inter-relacionamento entre ambas, pois na ação humana, o conhecer e o agir são indissociáveis.

Em nome da amizade, deve-se guardar silêncio diante do ato de um traidor? Em situações como esta, os indivíduos se deparam com a necessidade de organizar o seu comportamento por normas que se julgam mais apropriadas ou mais dignas de ser cumpridas. Tais normas são aceitas como obrigatórias, e desta forma, as pessoas compreendem que têm o dever de agir desta ou daquela maneira. Porém o comportamento é o resultado de normas já estabelecidas, não sendo, então, uma decisão natural, pois todo comportamento sofrerá um julgamento. E a diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais, assim Ética é uma espécie de legislação do comportamento Moral das pessoas. Mas a função fundamental é a mesma de toda teoria: explorar, esclarecer ou investigar uma determinada realidade.

A Moral, afinal, não é somente um ato individual, pois as pessoas são, por natureza, seres sociais, assim percebe-se que a Moral também é um empreendimento social. E esses atos morais, quando realizados por livre participação da pessoa, são aceitas, voluntariamente.

Pois assim determina Vasquez (1998) ao citar Moral como um “sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal”.

Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. Ambos significam "respeitar e venerar a vida". O homem, com seu livre arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o destruindo, ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se torna no bem ou no mal deste planeta. Deste modo, Ética e a Moral se formam numa mesma realidade.

Autoria: THIAGO FIRMINO SILVANO - Acadêmico do Curso de Direito da UNISUL

REFERÊNCIA

1 SILVA, José Cândido da; SUNG, Jung Mo. Conversando sobre ética e sociedade. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.

2 CAMARGO, Marculino. Fundamentos da ética geral e profissional. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

3 VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 18. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

4 GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução à Ciência do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 1972.

5 VENOSA, Sílvio de Salvo. Introdução ao Estudo do Direito. São Paulo: Atlas, 2004.

6 MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural, 1984.


Veja também:

Ética, Moral e Direito

Ética da Diversidade

Ética e Ciência

Ética na política brasileira

quinta-feira, 4 de novembro de 2010


"...o homem bom é estimável e desejável para o homem bom. Ora, dir-se-ia que o amor é um sentimento e a amizade é uma disposição de caráter, porque se pode sentir amor mesmo pelas coisas inanimadas, mas o amor mútuo envolve escolha, e a escolha procede de uma disposição de caráter. E os homens desejam bem àqueles a quem amam por eles mesmos, não por efeito de um sentimento, mas de uma disposição de caráter. E finalmente, os que amam um amigo amam o que é bom para eles mesmos; porque o homem bom, ao tornar-se amigo, passa a ser um bem para o seu amigo. Cada qual, portanto, ao mesmo tempo em que ama o que é bom para ele, retribui com benevolência e aprazibilidade em igualdade de termos; porque se diz que amizade é igualdade, e ambas são encontradas mais comumente na amizade dos bons."
(Ética a Nicômaco - Livros VIII e IX - Aristóteles)

domingo, 29 de agosto de 2010

Vale a pena conhecer esse site

http://www.cidaderefugio.com.br

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O amor, por C. S. Lewis


    Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir.
    Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto , você não deve entregá-lo á ninguém, nem mesmo a um animal.
    Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo.
    Mas nesse esquife – seguro , sem movimento , sem ar - ele vai mudar.
    Ele não vai se partir – vai tornar-se indestrutível, impenetrável, irredimível.
    A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação.
    C.S.Lewis

domingo, 1 de agosto de 2010

UMA CRÔNICA SOBRE MAIOR DE TODOS OS DONS: O AMOR

"O Cachorrinho e a Viúva"


A menina jazia na cama, incomunicável, murmurando grunhidos, uma febre que não passava.
Sua mãe não sabia que atitude tomar, já havia recorrido a todas as portas.

Corria o ano 31 AD, a região de Tiro e Sidom era castigada pela seca, o povo fenício, antes exaltado
por sua avançada ciência e pela reconhecido mérito dos avanços na escrita, jazia agora mergulhado
na inércia cultural, gerada pela idolatria dominante e por governos corruptos.

A mãe ainda recorda os últimos dias em que sua filhinha ainda se portava
como uma criança normal, que não se cansava de correr e brincar com aquele animalzinho intruso
Viúva já a alguns anos, se esforçava por pelo menos alimentar e vestir sua única filha, ma já não
era capaz de expressar seu amor, em pequenos gestos , em ouvir e escutar.

Não foi capaz de perceber que aquele cachorrinho era uma fuga, uma medicina que uma criança
encontrava pra tanta falta de atenção. Pro olhar sempre duro e reprovador da mãe, amargada pela
falta de esperança e pelo fanatismo de tentar servir e agradar a religião, a seus ídolos de pedra e barro
que ironicamente, não tinham e nem poderiam "ter coração".

Sim, naquele dia fatídico, ela viu tudo mudar, mais uma vez, foi rude,
abrupta, e "estourou" com a criança, aos gritos, lhe chamou de invalida, imprestável, e disse
que sumisse com aquele cachorro: ...." Como podes?! "
não temos o que comer e trazes um cão para dentro de casa?? Suma,
desapareça com esse animal!!..."

A criança aos prantos dizia. “mamãe, não necessitas dar a ele de comer, eu tiro de minha comida..."

...."Louca!!!! não e' justo tirar de um filho e der de comer a um cachorro !!!! ..."

A criança aos prantos, soluçou... "mas ele pode comer das migalhas que caem
de nossa mesa.."

..."Chega!!! Não fales mais, suma com esse lixo... Fora daqui com ele!!! "

A pobre criança levou seu cachorrinho e soluçando o amarrou a uma arvore na floresta, voltou para casa e
desde então a estranha febre a acometeu, e parecia estar agora, sempre prostrada, num outro mundo,
incomunicável.

A mãe desesperada, recorreu aos ídolos, buscou seus sacerdotes, a palavra foi de morte:
...." a menina tem um espírito maligno, esta e' a vontade de Baal, ela
morrera'..."

Sentada `a porta, naquela manhã de domingo, o sol já nascera e a pobre viúva abatida não se dava
conta , a imensa tristeza lhe impedia até mesmo de diferenciar o dia e a noite.

Um velho vizinho se aproximou, trazia alguns pães e um pouco de azeite: ..."amiga, amiga, somente um milagre
poderia lhe ajudar, ah se nossos ídolos realmente funcionassem, realmente fizesse algo por nosso povo.."
dizem que ha' um homem de Israel por aqui nesses dias e que os deuses operam milagres por meio dele, mas
você sabe , e' um outro povo e cada povo tem o mestre que merece.

Aquela mulher subitamente elevou sua fronte, tudo o que ela ouviu foi a palavra "milagres". Algo passou a
lhe impulsionar no espírito, ela precisava de algo mais, buscar o "invisitado".

Pediu ao amigo e sua esposa que cuidassem da filhinha, partiu caminhando , as pernas cansadas e vitimas
da idade tentavam desistir mas seu espírito estava decidido, ela tinha de tinha de encontrar o Fazedor de milagres.


A tarde já findava quando finalmente se aproximou da casa onde Ele estava ,
as indicações e informações respondidas todas diziam que ali estava Ele naquele dia.

Dois homens conversavam na porta, a velha mulher se aproximou : ... " senhores, por favor , lhes imploro,
necessito ver o Mestre dos milagres, disseram que se encontra nessa casa"...

Os dois homens ficaram pensativos.. aquela mulher parecia realmente desesperada... mas e esse sotaque estranho?
com certeza ela não era da nação de Israel, o mais velho respondeu:

"Senhora, somos discípulos do mestre a quem procuras, seu nome é Jesus Cristo, e mais do que um Mestre, Ele
é um messias, mas.. aham... Um messias para o povo de Israel. "

A velha viúva sentiu o teor daquelas palavras, mas não importava, mais forte era seu desejo, era conhecer o tal
Mestre de amor, que jamais havia negado sua ajuda e a ninguém havia lançado fora.

"Por favor, eu suplico, tenho um caso de vida ou morte, necessito ver o Mestre..."

O mais velho já se propunha a fazê-la desistir e acompanhá-la até a saída da vila, mas o mais jovem discípulo já
estava decidido, levaria a senhora até o Mestre. Num "atrevimento" santo típico dos jovens, decidiu que não
havia mal algum em levar aquela senhora até Ele.

Ela se aproximou, oprimida, mais pelo peso da dor que pelo peso do cansaço:

".. Mestre, suplico-lhe, minha filha tem um demônio, e jaz inconsciente numa cama..."

Jesus a mirou com um olhar terno, porem firme, alguns breves segundos se passaram, o silencio desafiava os
discípulos ali presentes a adivinhar qual seria a reação do Mestre:

Com serenidade e firmeza, o Mestre lhe respondeu:

...."não é justo tirar o pão dos filhinhos e dar aos cachorrinhos.."

Aquela frase foi como um raio , caindo fulminante em seu coração, a mulher finalmente caia em si, todo
o sofrimento, toda a dor provocados pela pura e simples falta de amor.

Numa reação rápida e urgente, a mulher retrucou:

".... Mas os cachorrinhos podem comer das migalhas que caem da mesa dos filhos... "


Jesus a mirou com amor, um quase imperceptível sorriso nos lábios:

“ Oh mulher, grande e' sua fé, vá, a sua filha está curada.."

Quantas vezes nos esquecemos que mais que cumprir rituais, mais que
obedecer leis e dogmas, o que mais anseia Deus é ver em nos o dom
do amor? . Não foi Ele quem disse:..." nisso reconhecerão que vocês são
meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros".?


De nada adianta ter a fé de um profeta ou patriarca ,de nada adianta
realizar milagres, mas ao mesmo tempo tratar mal as pessoas, humilhar "servos alheios" , pisar em
seu semelhante, colocar a "obra" acima do ser humano ao ponto de quase que se oficializar que
"sentimentos" é algo para os fracos, ou algo maligno.

Ainda bem que está escrito que Jesus chorou, que sentiu compaixão tantas vezes,
que se alegrou e exultou e que até mesmo a um jovem rico , que preferiu todas
as suas riquezas ao invés de segui-lo, Ele "amou profundamente".

A Fé é eficaz quando usada sem sentimentos, como uma ferramenta, isso é comprovado
por fatos e inúmeros testemunhos de hoje e do passado. Mas no dia a dia, no relacionar-se com as pessoas,
o Amor, o cuidado, o carinho e afeição , SENTIMENTOS tem de ser cultivados.

A viúva sirio-fenicia , como muitos de nos' nos dias de hoje, tinha o dom da Fé, fez uso de sua Fé, tirou forcas dela para
passar barreiras, obstáculos e até mesmo decepções e ofensas por parte
daqueles que seguiam a Jesus, em busca de seu milagre , em busca do Mestre Jesus .

Mas faltava a ela o principal, a força maior que traz a felicidade e realização de pessoas, famílias e igrejas.
faltava o dom maior, o Amor


Mãe e filha agora começavam de novo, uma nova caminhada de amor e uma nova fé.
prosperidade, bênçãos, três seres debaixo da sombra de um Deus de amor.
Três?

Ah.. Esqueci de dizer, o cachorrinho misteriosamente esperava a velha viúva na porta quando ela regressou.

Ray Evangelista

sábado, 31 de julho de 2010

Bless the Broken Road-Rascal Flatts

sexta-feira, 30 de julho de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

SINDROME DE X-MEN



Os X-Men são mutantes: humanos que, como resultado de um súbito salto evolucionário, nasceram com habilidades super-humanas latentes, que geralmente se manifestam na puberdade. Conseqüentemente, em suas histórias, vários homens comuns têm um intenso medo e/ou desconfiança dos mutantes (cientificamente chamados de Homo superior), que são vistos pelos cientistas em geral como o novo degrau da evolução humana. Logo, muitos os consideram uma ameaça à própria sociedade humana. Tensão esta exacerbada por mutantes que usam seus poderes para fins criminosos.

Para combater estes "mutantes malignos" (tais como Magneto e sua Irmandade de Mutantes) e promover a coexistência pacífica entre as duas raças, o benevolente Professor Charles Xavier, (ou Professor X, o milionário que é, secretamente, um dos maiores telepatas da Terra), fundou uma academia para treinar jovens mutantes e doutriná-los em seu sonho de "harmonia inter-racial". Ocultando sua real intenção do restante do mundo sob a fachada do Instituto Xavier Para Jovens Super-Dotados, Charles deu, assim, início ao seu sonho.

As histórias dos X-Men contam com personagens de diversas etnias sendo, talvez, a revista em quadrinhos mais multicultural já publicada pela Marvel. Personagens representando várias outras etnias e cenários culturais foram subseqüentemente adicionados. As histórias também retratavam temas relacionados ao status das minorias, incluindo assimilação, tolerância e crenças na existência de uma "raça superior".

Os X-Men foram fundados pelo telepata paraplégico Charles Francis Xavier, o Professor X, para defender seu sonho de "convivência pacífica entre humanos e mutantes", ao mesmo tempo em que, secretamente, defendiam a humanidade dos "mutantes malignos". Assim, desde sua fundação, os X-Men vivem em uma constante batalha, "defendendo um mundo que os teme e odeia".

(Artigo extraído do site http://pt.wikipedia.org/wiki/X-Men, acesso em 29/07/2010)

Eu, cá com meus botões, fico pensando sobre a leva de vocacionados cristãos nos nossos dias que vivem uma “história em quadrinhos” muito parecida com a dos X-MEN!

O grande equívoco da igreja é deixar-se dividir entre crentes e “X-CRENTES”. O grande perigo que corre os seminários hoje é tornarem-se “academias para treinar jovens mutantes e doutriná-los” ou serem vistos como “Instituto Xavier para jovens Super-Dotados.”

Jesus, em nenhum momento, distribui “patentes” dentre os discípulos. Quando Jesus distribui ministérios e dons Ele deixa bem claro que os dons são do Espírito e não um tipo de “mutação” que acontece quando "nascemos de novo". Dons e talentos são presentes gratuitos distribuídos para todos os membros do Corpo de Cristo e para a edificação do próprio Corpo. Eles não são para uma parte privilegiada de “X-CRENTES”.

Quando missionários, pastores, ministros de louvor ou qualquer tipo de liderança eclesiástica acreditam que são uma espécie de “crentes-mutantes” eles trazem para si mesmos uma série de conflitos e problemas de caráter, oriundos de uma falsa idéia sobre sua verdadeira identidade em Cristo. A prova disso? O crescente número de escândalos envolvendo lideranças eclesiásticas e os consultórios de psicólogos e psiquiatras cada vez mais lotados de pessoas destroçadas emocionalmente e confusas sobre quem são em Cristo por não agüentarem a demanda da imagem de “Super-herói” posta sobre elas e aceita por elas mesmas.

Apontar para Jesus é a função de todos nós que um dia, ao encontrarmos com a verdade Dele, começamos experimentar do poder do amor Dele por nós sendo nós ainda pecadores.

E que o Espírito de Deus não nos deixe esquecer que não se tratou de um encontro isolado no passado de nossa história. Todos os dias precisamos ser curados, refeitos e transformados por esse amor. Não há nenhum de nós que não precise diariamente da misericórdia sendo renovada sobre nossa natureza imperfeita.

Os “super-poderes celestiais” disponíveis a nós não são provenientes de uma mutação do nosso próprio ser. Eles pertencem a Jesus. Somente a Ele. Sem Ele nós nada podemos fazer!

Elisama Lopes Araújo,

Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros /MG – UNIMONTES.

Bacharel em Teologia com ênfase em missões pelo Missionary Training College – MTC Latino Americano/ Brasil.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

OS QUATRO AMORES

"O Amor-Necessidade clama por Deus de nossa pobreza; o Amor-Doação deseja servir a Deus, ou sofrer por Ele; o Amor-Apreciativo diz 'Nós te damos graças por tua grande glória'. O Amor-Necessidade diz de uma mulher: 'Não consigo viver sem ela'; o Amor-Doação deseja proporcionar a ela felicidade, conforto, proteção - e, se possível, riqueza; o Amor-Apreciativo a contempla, e prende a respiração, e se cala, e se alegra por tamanha maravilha existir, mesmo que não para ele, e não se sente inteiramente deprimido por perdê-la, e prefirira perdê-la a jamais tê-la visto."

Os Quatro Amores
C.S. Lewis

quarta-feira, 21 de julho de 2010

VOCÊ É ESPECIAL



Você é especial ( Max Lucado)


Era uma vez, um povo chamado xulingo. Os xulingos eram pequenos seres, feitos de madeira. Toda essa gente de madeira tinha sido feita por um carpinteiro chamado Eli. A oficina onde ele trabalhava ficava no alto de um morro, de onde se avistava a aldeia dos xulingos.
Cada xilungo era diferente dos outros. Uns tinham narizes bem grandes, outros tinham olhos enormes. Alguns eram altos, e outros bem baixinhos. Uns usavam chapéus, outros usavam casacos. Todos eles, porém, tinham sido feitos pelo mesmo carpinteiro e moravam na mesma aldeia. E o dia inteiro, todos os dias, os xulingos só faziam uma coisa: colocavam adesivos uns nos outros. Cada xulingo tinha uma caixinha com adesivos dourados, em forma de estrela, e uma caixinha com adesivos cinzentos, em forma de bola. Em toda aldeia, indo e vindo pelas ruas, os xulingos passavam dia após dia colando estrelas e bolas uns nos outros. Os mais bonitos, feitos de madeira lisa e tinta brilhante, sempre ganhavam. Mas, se a madeira era áspera ou se a tinta descascava, os xulingos colocavam bolas cinzentas. Os xulingos que tinham algum talento também ganhavam estrelas. Alguns xulingos, porém, não sabiam fazer muita coisa. Esses ganhavam bolinhas cinzentas. Marcelino era um desses. Ele tentava pular bem alto como os outros, mas sempre caia. E, quando caia, os outros xulingos se juntavam à volta dele e lhe davam bolinhas cinzentas.


Às vezes, quando caía, sua madeira ficava arranhada, e, assim, os outros colavam mais bolinhas cinzentas nele. Aí, quando ele tentava explicar porque tinha caído, dizia alguma coisa do jeito errado, e os xulingos colocavam mais bolinhas cinzentas nele. Depois de algum tempo, Marcinelo tinha tantas bolinhas que nem queria sair de casa. Tinha medo de fazer alguma bobagem, porque os xulingos iriam colar nele mais uma bolinha .
- Ele merece ficar coberto de bolinhas cinzentas – as pessoas de madeira diziam umas às outras. – Ele não é um bom xulingo. Depois de algum tempo, Marcinelo começou a acreditar neles. E vivia dizendo:
- Eu não sou um bom xulingo.


Certo dia, Marcinelo encontrou uma xulinga diferente de todas que ele conhecia. Ela não tinha nem estrelas nem bolinhas. Só madeira.
O nome dela era Lúcia. E não era porque outros xulingos não tentassem colar adesivos em Lúcia. É que os adesivos não ficavam. É assim que eu quero ser, pensou Marcinelo. Não quero ficar com as marcas de outras pessoas. Então, ele perguntou à xulinga que não tinha adesivos como é que ela conseguia ficar assim. - É fácil – respondeu Lúcia – todo dia, vou visitar Eli.
- Eli? -Sim, Eli, o carpinteiro. Fico lá na oficina com ele. - Por quê? - Por que você não descobre por si mesmo? Suba o morro. Ele está lá em cima. E, dizendo isso, a xulinga que não tinha adesivos virou e foi embora, saltitando. - Mas será que ele vai querer me ver? – gritou Marcinelo. Lúcia não ouviu. Assim Marcinelo foi para casa. sentou-se junto à janela e observou toda aquela gente de madeira andando de um lado para outro, colando estrelas e bolinhas uns nos outros.


- Isso não é certo. – disse ele baixinho para si mesmo.
E decidiu ir ver Eli.
Marcinelo subiu pelo caminho estreito até o alto do morro e entrou na enorme oficina. Seus olhos de madeira se arregalaram com o tamanho das coisas. Ele engoliu em seco.
- Eu não fico aqui não! – e virou-se para ir embora.
Foi então que ouviu alguém dizer seu nome.
- Marcinelo? – a voz era profunda e forte.
Marcinelo parou.
- Marcinelo! Que alegria ver você. Chegue mais! Quero ver você bem de perto.
Marcinelo virou bem devagar e olhou para o enorme carpinteiro.
- Você sabe o meu nome? – perguntou o pequeno xulingo.
- É claro que sei. Fui eu que fiz você.
Eli se curvou, levantou Marcinelo e o colocou sentado no banco.
- Huummm! – disse pensativo o carpinteiro, olhando para todas aquelas bolinhas cinzentas. – Parece que você recebeu muitos adesivos ruins. - Eu não queria que isso acontecesse, Eli, eu me esforcei para ganhar estrelas. - Você não precisa se defender comigo, amiguinho. Eu não me importo com o que os outros xulingos pensam. - Não? - Não, e você também não precisa se importar. Quem são eles para dar estrelas ou bolinhas? São apenas xulingos como você. O que eles pensam, não importa, Marcinelo. A única coisa que importa é o que eu penso. E eu penso que você é muito especial.
Marcinelo deu uma risada. - Eu, especial? Por que? Não sei correr. Não consigo pular. Minha tinta está descascando. Por que eu seria importante para você? Eli olhou para Marcinelo, colocou suas mãos enormes naqueles pequenos ombros de madeira, e disse bem devagarinho: - Porque você é meu. Por isso, você é importante para mim.

Nunca ninguém havia olhado assim para Marcinelo – Muito menos o seu Criador. Ele nem sabia o que dizer. - Todo dia, tenho esperado a sua visita – explicou Eli. – Eu vim porque encontrei alguém que não tinha marcas. – Disse Marcinelo. - Eu sei. Ela me falou sobre você. - Por que os adesivos não colam nela? O criador dos xulingos falou bem mansinho: - Porque ela decidiu que o que eu penso é mais importante do que o que eles pensam. Os adesivos só colam se você deixar que colem. - O quê? - Os adesivos só colam se eles forem importantes para você. Quanto mais você confiar no meu amor, menos vai se importar com os adesivos dos xulingos. - Acho que não estou entendendo.
Eli sorriu e disse: - Você vai entender, mas levará tempo. Você tem muitos adesivos. Por enquanto, basta vir me visitar todo dia, e eu lhe direi como você é importante para mim. - Eli ergueu Marcinelo do banco e o colocou no chão. - Lembre-se – disse Eli quando o xulingo saía pela porta, - Você é especial porque eu o fiz. E eu não cometo erros.
Marcinelo nem parou, mas lá no fundo de seu coração pensou: acho que ele realmente se importa comigo.

E, quando ele pensou assim, uma bolinha cinzenta caiu ao chão.

FIM.