
(Ética a Nicômaco - Livros VIII e IX - Aristóteles)


A menina jazia na cama, incomunicável, murmurando grunhidos, uma febre que não passava.
Sua mãe não sabia que atitude tomar, já havia recorrido a todas as portas.
Corria o ano 31 AD, a região de Tiro e Sidom era castigada pela seca, o povo fenício, antes exaltado
por sua avançada ciência e pela reconhecido mérito dos avanços na escrita, jazia agora mergulhado
na inércia cultural, gerada pela idolatria dominante e por governos corruptos.
A mãe ainda recorda os últimos dias em que sua filhinha ainda se portava
como uma criança normal, que não se cansava de correr e brincar com aquele animalzinho intruso
Viúva já a alguns anos, se esforçava por pelo menos alimentar e vestir sua única filha, ma já não
era capaz de expressar seu amor, em pequenos gestos , em ouvir e escutar.
Não foi capaz de perceber que aquele cachorrinho era uma fuga, uma medicina que uma criança
encontrava pra tanta falta de atenção. Pro olhar sempre duro e reprovador da mãe, amargada pela
falta de esperança e pelo fanatismo de tentar servir e agradar a religião, a seus ídolos de pedra e barro
que ironicamente, não tinham e nem poderiam "ter coração".
Sim, naquele dia fatídico, ela viu tudo mudar, mais uma vez, foi rude,
abrupta, e "estourou" com a criança, aos gritos, lhe chamou de invalida, imprestável, e disse
que sumisse com aquele cachorro: ...." Como podes?! "
não temos o que comer e trazes um cão para dentro de casa?? Suma,
desapareça com esse animal!!..."
A criança aos prantos dizia. “mamãe, não necessitas dar a ele de comer, eu tiro de minha comida..."
...."Louca!!!! não e' justo tirar de um filho e der de comer a um cachorro !!!! ..."
A criança aos prantos, soluçou... "mas ele pode comer das migalhas que caem
de nossa mesa.."
..."Chega!!! Não fales mais, suma com esse lixo... Fora daqui com ele!!! "
A pobre criança levou seu cachorrinho e soluçando o amarrou a uma arvore na floresta, voltou para casa e
desde então a estranha febre a acometeu, e parecia estar agora, sempre prostrada, num outro mundo,
incomunicável.
A mãe desesperada, recorreu aos ídolos, buscou seus sacerdotes, a palavra foi de morte:
...." a menina tem um espírito maligno, esta e' a vontade de Baal, ela
morrera'..."
Sentada `a porta, naquela manhã de domingo, o sol já nascera e a pobre viúva abatida não se dava
conta , a imensa tristeza lhe impedia até mesmo de diferenciar o dia e a noite.
Um velho vizinho se aproximou, trazia alguns pães e um pouco de azeite: ..."amiga, amiga, somente um milagre
poderia lhe ajudar, ah se nossos ídolos realmente funcionassem, realmente fizesse algo por nosso povo.."
dizem que ha' um homem de Israel por aqui nesses dias e que os deuses operam milagres por meio dele, mas
você sabe , e' um outro povo e cada povo tem o mestre que merece.
Aquela mulher subitamente elevou sua fronte, tudo o que ela ouviu foi a palavra "milagres". Algo passou a
lhe impulsionar no espírito, ela precisava de algo mais, buscar o "invisitado".
Pediu ao amigo e sua esposa que cuidassem da filhinha, partiu caminhando , as pernas cansadas e vitimas
da idade tentavam desistir mas seu espírito estava decidido, ela tinha de tinha de encontrar o Fazedor de milagres.
A tarde já findava quando finalmente se aproximou da casa onde Ele estava ,
as indicações e informações respondidas todas diziam que ali estava Ele naquele dia.
Dois homens conversavam na porta, a velha mulher se aproximou : ... " senhores, por favor , lhes imploro,
necessito ver o Mestre dos milagres, disseram que se encontra nessa casa"...
Os dois homens ficaram pensativos.. aquela mulher parecia realmente desesperada... mas e esse sotaque estranho?
com certeza ela não era da nação de Israel, o mais velho respondeu:
"Senhora, somos discípulos do mestre a quem procuras, seu nome é Jesus Cristo, e mais do que um Mestre, Ele
é um messias, mas.. aham... Um messias para o povo de Israel. "
A velha viúva sentiu o teor daquelas palavras, mas não importava, mais forte era seu desejo, era conhecer o tal
Mestre de amor, que jamais havia negado sua ajuda e a ninguém havia lançado fora.
"Por favor, eu suplico, tenho um caso de vida ou morte, necessito ver o Mestre..."
O mais velho já se propunha a fazê-la desistir e acompanhá-la até a saída da vila, mas o mais jovem discípulo já
estava decidido, levaria a senhora até o Mestre. Num "atrevimento" santo típico dos jovens, decidiu que não
havia mal algum em levar aquela senhora até Ele.
Ela se aproximou, oprimida, mais pelo peso da dor que pelo peso do cansaço:
".. Mestre, suplico-lhe, minha filha tem um demônio, e jaz inconsciente numa cama..."
Jesus a mirou com um olhar terno, porem firme, alguns breves segundos se passaram, o silencio desafiava os
discípulos ali presentes a adivinhar qual seria a reação do Mestre:
Com serenidade e firmeza, o Mestre lhe respondeu:
...."não é justo tirar o pão dos filhinhos e dar aos cachorrinhos.."
Aquela frase foi como um raio , caindo fulminante em seu coração, a mulher finalmente caia em si, todo
o sofrimento, toda a dor provocados pela pura e simples falta de amor.
Numa reação rápida e urgente, a mulher retrucou:
".... Mas os cachorrinhos podem comer das migalhas que caem da mesa dos filhos... "
Jesus a mirou com amor, um quase imperceptível sorriso nos lábios:
“ Oh mulher, grande e' sua fé, vá, a sua filha está curada.."
Quantas vezes nos esquecemos que mais que cumprir rituais, mais que
obedecer leis e dogmas, o que mais anseia Deus é ver em nos o dom
do amor? . Não foi Ele quem disse:..." nisso reconhecerão que vocês são
meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros".?
De nada adianta ter a fé de um profeta ou patriarca ,de nada adianta
realizar milagres, mas ao mesmo tempo tratar mal as pessoas, humilhar "servos alheios" , pisar em
seu semelhante, colocar a "obra" acima do ser humano ao ponto de quase que se oficializar que
"sentimentos" é algo para os fracos, ou algo maligno.
Ainda bem que está escrito que Jesus chorou, que sentiu compaixão tantas vezes,
que se alegrou e exultou e que até mesmo a um jovem rico , que preferiu todas
as suas riquezas ao invés de segui-lo, Ele "amou profundamente".
A Fé é eficaz quando usada sem sentimentos, como uma ferramenta, isso é comprovado
por fatos e inúmeros testemunhos de hoje e do passado. Mas no dia a dia, no relacionar-se com as pessoas,
o Amor, o cuidado, o carinho e afeição , SENTIMENTOS tem de ser cultivados.
A viúva sirio-fenicia , como muitos de nos' nos dias de hoje, tinha o dom da Fé, fez uso de sua Fé, tirou forcas dela para
passar barreiras, obstáculos e até mesmo decepções e ofensas por parte
daqueles que seguiam a Jesus, em busca de seu milagre , em busca do Mestre Jesus .
Mas faltava a ela o principal, a força maior que traz a felicidade e realização de pessoas, famílias e igrejas.
faltava o dom maior, o Amor
Mãe e filha agora começavam de novo, uma nova caminhada de amor e uma nova fé.
prosperidade, bênçãos, três seres debaixo da sombra de um Deus de amor.
Três?
Ah.. Esqueci de dizer, o cachorrinho misteriosamente esperava a velha viúva na porta quando ela regressou.
Ray Evangelista
Os X-Men são mutantes: humanos que, como resultado de um súbito salto evolucionário, nasceram com habilidades super-humanas latentes, que geralmente se manifestam na puberdade. Conseqüentemente, em suas histórias, vários homens comuns têm um intenso medo e/ou desconfiança dos mutantes (cientificamente chamados de Homo superior), que são vistos pelos cientistas em geral como o novo degrau da evolução humana. Logo, muitos os consideram uma ameaça à própria sociedade humana. Tensão esta exacerbada por mutantes que usam seus poderes para fins criminosos.
Para combater estes "mutantes malignos" (tais como Magneto e sua Irmandade de Mutantes) e promover a coexistência pacífica entre as duas raças, o benevolente Professor Charles Xavier, (ou Professor X, o milionário que é, secretamente, um dos maiores telepatas da Terra), fundou uma academia para treinar jovens mutantes e doutriná-los em seu sonho de "harmonia inter-racial". Ocultando sua real intenção do restante do mundo sob a fachada do Instituto Xavier Para Jovens Super-Dotados, Charles deu, assim, início ao seu sonho.
As histórias dos X-Men contam com personagens de diversas etnias sendo, talvez, a revista em quadrinhos mais multicultural já publicada pela Marvel. Personagens representando várias outras etnias e cenários culturais foram subseqüentemente adicionados. As histórias também retratavam temas relacionados ao status das minorias, incluindo assimilação, tolerância e crenças na existência de uma "raça superior".
Os X-Men foram fundados pelo telepata paraplégico Charles Francis Xavier, o Professor X, para defender seu sonho de "convivência pacífica entre humanos e mutantes", ao mesmo tempo em que, secretamente, defendiam a humanidade dos "mutantes malignos". Assim, desde sua fundação, os X-Men vivem em uma constante batalha, "defendendo um mundo que os teme e odeia".
(Artigo extraído do site http://pt.wikipedia.org/wiki/X-Men, acesso em 29/07/2010)
Eu, cá com meus botões, fico pensando sobre a leva de vocacionados cristãos nos nossos dias que vivem uma “história em quadrinhos” muito parecida com a dos X-MEN!
O grande equívoco da igreja é deixar-se dividir entre crentes e “X-CRENTES”. O grande perigo que corre os seminários hoje é tornarem-se “academias para treinar jovens mutantes e doutriná-los” ou serem vistos como “Instituto Xavier para jovens Super-Dotados.”
Jesus, em nenhum momento, distribui “patentes” dentre os discípulos. Quando Jesus distribui ministérios e dons Ele deixa bem claro que os dons são do Espírito e não um tipo de “mutação” que acontece quando "nascemos de novo". Dons e talentos são presentes gratuitos distribuídos para todos os membros do Corpo de Cristo e para a edificação do próprio Corpo. Eles não são para uma parte privilegiada de “X-CRENTES”.
Quando missionários, pastores, ministros de louvor ou qualquer tipo de liderança eclesiástica acreditam que são uma espécie de “crentes-mutantes” eles trazem para si mesmos uma série de conflitos e problemas de caráter, oriundos de uma falsa idéia sobre sua verdadeira identidade em Cristo. A prova disso? O crescente número de escândalos envolvendo lideranças eclesiásticas e os consultórios de psicólogos e psiquiatras cada vez mais lotados de pessoas destroçadas emocionalmente e confusas sobre quem são em Cristo por não agüentarem a demanda da imagem de “Super-herói” posta sobre elas e aceita por elas mesmas.
Apontar para Jesus é a função de todos nós que um dia, ao encontrarmos com a verdade Dele, começamos experimentar do poder do amor Dele por nós sendo nós ainda pecadores.
E que o Espírito de Deus não nos deixe esquecer que não se tratou de um encontro isolado no passado de nossa história. Todos os dias precisamos ser curados, refeitos e transformados por esse amor. Não há nenhum de nós que não precise diariamente da misericórdia sendo renovada sobre nossa natureza imperfeita.
Os “super-poderes celestiais” disponíveis a nós não são provenientes de uma mutação do nosso próprio ser. Eles pertencem a Jesus. Somente a Ele. Sem Ele nós nada podemos fazer!
Elisama Lopes Araújo,
Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros /MG – UNIMONTES.
Bacharel em Teologia com ênfase em missões pelo Missionary Training College – MTC Latino Americano/ Brasil.